11 novembro, 2005

Antes Nada Aconteceu...

Eu tinha nomes na memória, cheiro, eu tinha gás, ao encontro da morte, do norte, uma noite eterna. Não sabia que esse gosto ficava na ponta dos dedos, esse gosto definitivo de alucinação, esse desejo de sobreviver, mesmo que depois se prenda nos meus olhos, procurando saída, ponte, código, labirinto onde Picasso se ataria ao minotauro, mesmo que depois se perca nos meus olhos esse acúmulo de desertos, uma sombra amarga, dessas que dessas que de repente se assume, entre um gole e outro de cerveja, quando ela me fita mais atenta e diz: "Você envelheceu quarenta e cinco anos desde a última vez que te olhei."

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